Acompanhamento Longitudinal e a Influência de Um Programa de Treino em Indicadores de Aptidão Física de Policiais Militares

Por: Vitor Hugo Ramos Machado.

103 páginas. 2020 04/11/2020

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Resumo

Introdução: O formato da tese acompanha o modelo escandinavo e resultou na preparação de dois artigos científicos. Portanto, o estudo está estruturado em quatro seções. A primeira seção aborda itens do referencial teórico vinculados ao tema tratado; a segunda refere-se ao delineamento metodológico da pesquisa e sustenta a elaboração dos artigos a serem submetidos para publicação; a terceira seção apresenta a versão original dos dois artigos; e, por fim, a última seção, diz respeito à síntese das conclusões obtidas face aos dados coletados. Objetivo: Acompanhar de maneira longitudinal os indicadores da aptidão física de Policiais Militares e verificar a influência do treinamento em circuito sobre esses indicadores. Método: O 1º artigo, trata-se de um estudo observacional de acompanhamento, prospectivos, com delineamento longitudinal. Foram realizadas coletas de dados em 12 momentos, entre os anos 2015 e 2019, subdividas em 3 momentos por ano. A população alvo foi composta por 45 policiais, sendo todos do sexo masculino, que participaram de todos os anos da pesquisa. As variáveis analisadas foram: morfológicas, hemodinâmicas e motoras. As comparações entre todos os anos foram realizadas pela aplicação da ANOVA de medidas repetidas com post-hoc de Bonferroni. A correlação de Pearson foi utilizada para investigar a tendência de mudança durante o período. Foi verificada a Variação Média Anual (VMA) e diferença média (DM) entre início e final do estudo. Os resultados VMA e DM indicam a mudança média anual e do período, respectivamente, em percentual para cada sujeito/variável. O 2º Artigo, trata-se de um estudo intervencional quase-experimental, prospectivo, com delineamento longitudinal, com duração de 36 semanas. Os dados foram coletados em três estágios: (Pré; Pós; Follow-Up). A amostra foi composta por 34 policiais militares, 21 homens e 13 mulheres. As variáveis analisadas foram: morfológicas, hemodinâmicas e motoras. Os voluntários foram submetidos a um protocolo de 20 semanas de Treino em Circuito (TC), baseado no Treinamento Físico Militar (TFM). Os resultados foram descritos em média e desvio padrão. As diferenças entre os momentos pré e pós intervenção e Follow-Up foram investigadas com a aplicação do teste de ANOVA para medidas repetidas. O tamanho de efeito foi usado para classificar a diferença observada após a intervenção; os seguintes pontos de corte foram adotados: >0,2 efeito trivial; >0,5 efeito médio; >0,8 efeito grande, >1,3 muito grande. Foi adotado um nível de significância P<0,05. Resultados: No 1º artigo, em 2015, a média de idade foi de 30,8±7,0 anos, peso 81,9±10,8 kg, IMC 26,5±3,1 kg/m², gordura corporal 16,0±5,1 % e de circunferência de cintura 85,5±9,4 cm. Essas variáveis apresentaram aumento significativo, com efeitos observados principalmente comparando os primeiros e último ano. É possível observar que em 2018 houve uma redução na gordura corporal, com posterior aumento em 2019. De modo interessante, as variáveis pressão arterial sistólica e pressão arterial diastólica apresentaram uma discreta redução nos valores. A Flexibilidade apresentou redução de 5,7% no período, cerca de 1,3% de redução ao ano. Os valores de força isométrica manual da mão dominante apresentaram aumento significativo de 2017 para 2019. Já para os valores da força isométrica manual da mão não dominante, foram observadas diferenças entre 2015, 2016, 2017 versus 2018 e 2019. Os desempenhos de saltos e aptidão cardiorrespiratória apresentaram redução discreta no período. No 2º artigo, os principais achados levando em consideração os 3 momentos (Pré, Pós e Follow-up) envolveram as seguintes variáveis: morfológicas: gordura corporal (homens: pré 15,8±4,3 % e pós 15,0±3,5 %), (mulheres: pré 20,8±3,1 % e pós 20,1±2,6 %); massa isenta de gordura (homens: pré 15,8±4,3 % e pós 15,0±3,5 %), (mulheres: pré 20,8±3,1 % e pós 20,1±2,6 %). Nas variáveis motoras os principais achados foram: força isométrica manual da mão dominante; (pré 51,7±6,7 kgf e pós 53,4±6,8 kgf); aumento significativo nas variáveis de força isométrica, manual da mão não dominante; (pré 50,3±8,5 kgf e pós 52,9±9,0 kgf); força isométrica escapular; (pré 31,7±7,7 kgf e pós 35,5±10,0 kgf); força isométrica de membros inferiores; homens (pré 123,1±26,7 kgf e pós 137,9±25,0 kgf) e mulheres (pré 80,5±13,1 kgf e pós 93,4±14,3 kgf); força isométrica lombar; (homens: pré 121,5±24,1kgf e pós 138,1±23,6 kgf), (mulheres: pré 77,3±15,9 kgf e pós 88,7±15,4 kgf); força isométrica absoluta; homens (pré 346,6±55,4 kgf e pós 382,4±55,5 kgf) e mulheres (pré 221,1±27,2 kgf e pós 247,2±26,8 kgf); força isométrica relativa; homens (pré 4,2±0,7 kgf/kg e pós 4,7±0,7 kgf/kg) e mulheres (pré 3,7±0,4 kgf e pós 4,1±0,5 kgf); Squat Jump; (pré 26,9±3,0 cm e pós 32,7±3,8 cm) e mulheres (pré 22,5±2,2 cm e pós 26,9±2,7 cm); Counter Moviment Jump; homens (pré 29,8±3,8 cm e pós 35,3±3,4 cm) e mulheres (pré 24,2±2,0 cm e pós 28,0±2,6 cm); Salto Horizontal; homens foram (pré 205,8±16,4 cm e pós 221,9±16,3 cm; follow-up 209,7±12,4 cm) e para as mulheres (pré 170,3±17,0 cm e pós 179,8±14,0 cm; follow-up 172,4±16,5 cm); Agilidade; homens foram (pré 9,8±0,5 seg e pós 9,4±0,8 seg; follow-up 10,3±1,3 seg), para as mulheres (pré 170,3±17,0 cm e pós 179,8±14,0 cm; follow-up 172,4±16,5 cm); Frequência Cardíaca do Limiar Ventilatório; (pré 174,9±15,3 bpm e pós 182,6±13,0 bpm; followup 176,4±14,1 bpm) e para as mulheres foram (pré 181,2±8,9 bpm e pós 186,7±9,3 bpm; follow-up 182,5±11,3 bpm); Velocidade do Limiar Ventilatório; (pré 11,6±1,4 km/h e pós 13,2±1,4 km/h; follow-up 11,8±1,4 km/h) e para as mulheres (pré 11,2±1,0 km/h e pós 12,4±1,0 km/h; follow-up 11,4±1,2 km/h); Distância Percorrida em 12 minutos; Volume Máximo de Oxigênio. homens foi (pré 2318,7±319,7 metros e pós 2585,6±234,5 metros; follow-up 2363,3±265,5 metros) e para as mulheres (pré 2036,8±162,3 metros e pós 2214,9±176,2 metros; follow-up 2082,2±193,9 metros). Conclusão: No 1º artigo, foi observado ao longo dos 5 anos de acompanhamento, redução acentuada nas variáveis: peso corporal, índice de massa corporal, gordura corporal, circunferência de cintura que aumentaram significativamente no período avaliado. Quanto à dimensão motora, a força isométrica manual teve aumento significativo, em contraponto, a variável da flexibilidade diminui no período observado. Não foram identificadas diferenças significativas nas variáveis hemodinâmicas. No 2º artigo, 20 semanas de Treino em Circuito, foi efetivo para diminuir valores médios de gordura corporal e aumentar a massa isenta de gordura tanto para policiais homens, quanto para policiais mulheres. Os valores da gordura corporal no período Follow-Up não aumentaram, mostrando manutenção dos níveis após o período intervencional. Não foi observada mudança nas variáveis hemodinâmicas ao longo do período de intervenção. O Treino em Circuito causou efeitos na força isométrica, potência muscular de membros inferiores, agilidade e aptidão cardiorrespiratória em ambos os sexos. A única variável que não apresentou alterações significativas tanto para homens como mulheres, foi flexibilidade. Quanto ao momento de destreino (follow-up) pode-se concluir que, algumas variáveis motoras tiveram efeitos negativos, ou seja, retornaram aos valores iniciais após a interrupção do período de intervenção, e outras não tiveram alterações nesse período, mantendo os ganhos provenientes da intervenção.


 

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