A Produção do Conhecimento em Educação Física nos Estados do Nordeste (Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe) 1982-2004: Balanço e Perspectivas

Por: Márcia Ferreira Chaves.

604 páginas. 2005 00/00/0000

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Resumo

Este estudo sobre a produção científica em Educação Física nos Estados do Nordeste se situa dentro da pesquisa matricial do grupo LEPEL/UFBA (Linha de Estudos e Pesquisa em Educação Física & Esporte e Lazer) que integra estudos sobre as problemáticas significativas da produção do conhecimento em Educação Física. O balanço crítico proposto visando identificar tendências, perspectivas e desafios para a consolidação da produção científica na Educação Física no nordeste, foi orientado pela seguinte questão geral: Quais as características das dissertações e teses dos pesquisadores que atuam na área da Educação Física nos Estados de Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe no período de 1982-2004, identificando as problemáticas abordadas, as formas de tratamento teóricometodológicas, as tendências epistemológicas, as propostas pedagógicas, sociais e políticas desenvolvidas, os compromissos com a problemática regional e as principais contribuições na compreensão da problemática da Educação Física nesses Estados? Para a elaboração das respostas foram utilizadas informações sobre os pesquisadores (mestres e doutores) que atuam na região; sobre as pesquisas produzidas; sobre as condições da produção no contexto dos cursos de pós-graduação e do desenvolvimento da pesquisa em Educação Física no Brasil. Foram localizadas 145 pesquisas distribuídas nos Estados de Pernambuco (62), Bahia (35), Alagoas (23) e Sergipe (25). Desse total registraram-se informações de 122 pesquisas já defendidas (96 dissertações e 26 teses) e foram obtidas e analisadas 70: 58 dissertações, 11 teses de doutorado e 01 (uma) de pós-doutorado, produzidas entre 1982 e 2004 (50% nos 04 últimos anos). Com base nas informações coletadas nos levantamentos e na leitura das dissertações e teses, as 70 pesquisas foram organizadas em dois tipos de agrupamento: 1º, com relação às áreas temáticas e 2º, em função das abordagens teórico-metodológicas identificadas através do esquema paradigmático. Essas 70 pesquisas se distribuem assim: Pernambuco registra o maior número (26), 24 dissertações e duas (02) teses. Bahia registra (20) pesquisas, 15 dissertações, quatro (04) teses de doutorado e uma (01) de pósdoutorado. Alagoas registra (18) pesquisas, quatro (04) teses de doutorado e 14 dissertações, já Sergipe apresenta seis (06) pesquisas, uma (01) tese de doutorado e cinco (05) dissertações. As pesquisas abordam as seguintes áreas: memória, cultura e corpo (21%), escola (20%), formação profissional/campo de trabalho (19%), políticas públicas (09%), epistemologia (09%), e atividade física e saúde (07%), recreação/lazer (06%), portadores de necessidades especiais (04%), movimentos sociais (04%) e rendimento de alto nível (01%). 50% das pesquisas atrelam-se às áreas, da memória, cultura e corpo, da formação profissional e da escola. 43% das pesquisas estão vinculadas aos grupos de pesquisa (LOEDEFE/UFPE e LEPEL/UFBA/UFAL e GEPEL/UFS) e 30% das dissertações e teses foram organizadas em torno de uma orientadora responsável pela criação das primeiras redes de intercâmbio. Com relação às fontes regionais localizam-se 11 pesquisas (15.7%) sobre estudos gerais ou bibliográficos. 14 pesquisas (20.0%) desenvolvem problemáticas localizadas, no Estado ou cidade onde o pesquisador realiza seus estudos. As 45 pesquisas (64.2%) restantes demonstram um compromisso com os problemas da região. Dessa forma temos 27 estudos dedicados à problemática da Educação Física do Estado de Pernambuco, 08 de Salvador, 06 de Alagoas e 03 de Sergipe. 46% dos pesquisadores da área se titularam em programas do nordeste em outras áreas como: Educação (UFPE: 20; UFBA: 06; UFPB: 02; e UFS: 02), Serviço Social (UFPE: 02) e Sociologia (UFPE 01). Como a região não possui programas na área de Educação Física, a maioria dos pesquisadores (51%) se titulou em programas da área de educação, 06% em outras áreas e apenas 43% em Educação Física, em outras regiões do Brasil ou no estrangeiro. Destaca-se a abordagem crítico-dialética que pautou 46% da produção. Na seqüência a tendência fenomenológica (34%) e finalmente, a abordagem empírico-analítica (16%). Os 04% restantes anunciam uma abordagem crítico-dialética, não apresentando as características da mesma. Com relação às técnicas de pesquisa foram priorizadas as qualitativas (79%). As técnicas quantitativas foram utilizadas apenas por 04% das pesquisas e 17% utilizam as duas formas. A produção que abrange 22 anos possibilita uma distribuição em três períodos: pioneirismo (1982-1992), expansão (1993-1999) e consolidação (2000-2004). Tal periodização demarcada pela primeira dissertação defendida (1982), pela primeira tese produzida na região (1993) e pela consolidação de redes de intercâmbio e de grupos de pesquisa (2000) permite constatar tendências temáticas e epistemológicas e visualizar perspectivas. Com relação às tendências teóricometodológicas, a semelhança de outras regiões do país, constatou-se a diminuição das abordagens analíticas e positivistas e o aumento progressivo das tendências fenomenológico-hermenêuticas e crítico-dialéticas. O levantamento sobre pesquisas recentes ainda não analisadas e sobre projetos em andamento permitiu visualizar algumas perspectivas relacionadas com a consolidação da pesquisa na região e a criação de programas de pós-graduação. Foram identificadas 32 novas teses de doutorado (17 que já foram defendidas e 15 em andamento) que somadas às 11 já analisadas indica o potencial de doutores que atuam na região (18 em Pernambuco, 12 na Bahia, sete (07) em Alagoas, e seis (06) em Sergipe). Esse indicador somado aos 31 grupos de pesquisa, 21 deles (67.7%) criados a partir do ano 2000, pode significar tanto a consolidação da pesquisa na região, como a pulverização de esforços, na perspectiva de criação de novos grupos vinculados a cada novo pesquisador que se titula. Tal paradoxo pode comprometer a possibilidade de projetos articulados que visem à criação de programas de Mestrados na região. Nesse sentido, pode significar tanto uma possibilidade como uma dificuldade para superar o desequilíbrio regional, que exige, por um lado, a ousadia e otimização de recursos humanos e por outro lado, a superação de individualismos em prol de projetos coletivos, interinstitucionais. Entretanto, o problema maior está na falta de políticas de desenvolvimento regional e da alocação de recursos para potencializar os esforços já acumulados.

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