A Centralidade do Estado na Amplitude das Ações de Educação Olímpica: Uma Experiência Rio 2016

Por: Flavio Valdir Kirst e .

Anais do Fórum de Estudos Olímpicos 2021 e III Simpósio Latino-americano Pierre de Coubertin.

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Resumo

N o ano de 2016, o Rio de Janeiro sediou os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, realizado pela primeira vez em um país da América Latina. Parte integrante dos Jogos (NAUL et al., 2017), o programa de Educação Olímpica teve início em 2013, na cidade do Rio de Janeiro, se expandido para todo o país entre os anos de 2014 e 2016. De acordo com o relatório oficial, o Programa Transforma alcançou 16 mil escolas do país, em mais de 3 mil municípios de todos os estados brasileiros (TRANSFORMA, 2016). Buscando suprir a lacuna de avaliações nesse tipo de programa (GRAVER et al., 2010; NIKOLAUS, 2013), o que tem preocupado também o Comitê Olímpico Internacional (INTERNATIONAL OLYMPIC COMITTEE, 2014), nosso objetivo central foi mensurar o alcance do programa Transforma, considerando os dados oficiais, o relato de seus gestores e a percepção dos professores multiplicadores. Diferente das edições anteriores (MAKRIS e GEORGIADIS, 2017; REN, 2017; WANG; MASUMOTO, 2009) os governos (federal, estadual e municipal) não honraram o compromisso assumido junto ao COI de realizar o programa de educação dos Jogos Rio 2016, o que retardou o início dos trabalhos em 3 anos, sendo finalmente assumido pelo Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, em 2013 (BERBAT, 2016). Por haver definido como público-alvo alunos de escolas de nível fundamental e médio de todo o país, coube ao Transforma estreitar laços com as esferas educacionais do poder público. As parcerias firmadas com secretarias municipais, estaduais e com o MEC, revelaram-se fundamentais no desenvolvimento e expansão do programa, e tornaram-se seus principais veículos de divulgação. Aproximadamente 65% dos professores multiplicadores tomaram conhecimento do programa Transforma por meio das esferas governamentais de gestão escolar locais, estaduais e nacionais. Além disso, a maioria dos professores multiplicadores acessou os produtos do programa através do portal educacional e-Proinfo (76,6%) que, apesar de ofertar os cursos do Transforma apenas a partir do segundo semestre de 2015, ou seja, ofertando cursos por um período total de pouco mais de um ano, atingiu um alcance percentualmente superior ao site oficial do Transforma (63,3%), que ficou no ar por 3 anos. Esses dados sugerem a centralidade do Estado na amplitude das ações de Educação Olímpica, e indicam a necessidade de que os governos, através do sistema educacional do país sede, assumam maior protagonismo no programa de educação anexo aos Jogos. 

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